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Caso, em lingüística, é uma categoria morfológica que indica as relações entre as palavras por meio de desinências características. Nalgumas línguas, as desinências casuais equivalem às posposições.

Tipos de casos[]

Casos no português[]

Na língua portuguesa, os casos existem apenas de forma vestigial, na flexão dos pronomes pessoais:

  • Reto - quando expressa o sujeito: eu, tu, ele. Equivale ao nominativo ou ao vocativo das línguas indo-européias antigas.
  • Oblíquo - expressa qualquer outra função gramatical e equivale a todos os demais casos das línguas indo-européias antigas.
    • Oblíquo tônico:
      • Não comitativo - usados como objeto indireto acompanhados de qualquer preposição, exceto "com": mim, ti, si etc.
      • Comitativo - substituem a preposição "com": comigo, contigo, consigo etc.
    • Oblíquo átono:
      • como objeto indireto (equivalente ao dativo) - lhe
      • como objeto direto (equivalente ao acusativo) - o, os, a, as
      • com ambas as funções - me, te, se, nos, vos.

Casos típicos de línguas indo-européias[]

  • Nominativo - caso do nome por excelência, expressa o sujeito ou aquilo a que ele se refere. É típico das línguas indo-européias antigas - latim, grego, sânscrito.
  • Vocativo - indica o nome ao qual o falante se dirige. Encontrado em várias línguas indo-européias antigas.
  • Acusativo - ponto de chegada da ação verbal, aparece com desinências especiais nas línguas indo-européias antigas, nas semíticas, no checheno (língua caucásica) e também no Esperanto.
  • Genitivo - indica principalmenta a posse (latim domus regis), a matéria (latim virga lauri) e a parte (multi militum).
  • Dativo - inativo na essência, representa o objeto indireto. No indo-europeu indicava vantagem ou desvantagem (dativo de interesse) e, nalgumas línguas do grupo, o lugar onde e para onde.
  • Locativo - expressa o local onde ocorre a ação. No indo-europeu terminava em -i (como no latim antigo Romai, grego oikoi = em casa, sânscrito udani = n'água).
  • Ablativo - indica vários tipos de complementos circunstanciais: de tempo, de modo, de lugar, agente etc. Aparece no latim, mas não no grego, que o substitui pelo genitivo ou pelo dativo.
  • Instrumental - indica principalmente complemento de meio. Aparece em sânscrito e deixou traços no grego e no latim.

Casos típicos de línguas fínicas[]

  • Ablativo - indica afastamento de algo, com função mais restrita que a do ablativo indo-europeu.
  • Adessivo - complemento de proximidade. Em finlandês, termina em -lla: talolla = perto de casa.
  • Alativo - movimento para onde. Em finlandês, a desinência é -lle: talolle = para casa.
  • Caritativo ou Abessivo - expressa carência, falta. Em finlandês, termina em -tta: talotta (sem casa).
  • Comitativo - complemento de companhia. Em finlandês, termina em -ine: taloine = com a casa.
  • Elativo - indica separação. Em finlandês, termina em -sta: talosta = fora de casa.
  • Essivo - indica um modo de ser permanente e contínuo. Em finlandês, termina em -na: talona = sempre casa.
  • Ilativo - movimento para dentro. Em finlandês, termina em -on: taloon = para dentro da casa.
  • Inessivo - complemento de lugar onde. Em finlandês, termina em -ssa: talossa = dentro de casa.
  • Instrutivo - complemento de meio (variante do instrumental). Em finlandês, termina em -in: taloin = por meio da casa.
  • Lativo - indica movimento para cima e distância. Em morduíno (língua fínica da Rússia), termina em -s: kudos = para longe da casa.
  • Partitivo - indica parte. Em finlandês, termina em -a: taloa = parte da casa.

Casos típicos de línguas caucásicas[]

  • Afetivo - indica o objeto afetado pela ação. Exemplo: chacur da:k'i-k'lä yezdešod = o pai não pode ver, afetado de cegueira.
  • Causativo - indica causa. Exemplo: udi t'urenk (por causa de um osso).
  • Comparativo - complemento de comparação. Em checheno, a desinência é -al: âmal = mais que o costume.
  • Delativo - expressa movimento descendente e existe em checheno.
  • Equativo - complemento de igualdade. Exemplo: georgiano katsivit' (como um homem).
  • Subessivo - variante do locativo, indica lugar sob. Exemplo: chacur diuwarik (sob o muro).
  • Superessivo - variante do locativo, indica lugar sobre. Exemplo: georgiano salxzed (sobre a casa).
  • Superlativo - movimento até o ponto mais alto. Exemplo: chacur suwalka = para o topo da montanha.

Casos típicos do basco[]

  • Destinativo - complemento de destinação.
  • Ergativo - indica o agente da frase ergativa, mas que também funciona como determinante. Em basco, termina em -k: konkorrek kanta = pelos papudos há canções = os papudos cantam.
  • Mediativo - complemento de meio (variante do instrumental).

Casos típicos do inuit (esquimó)[]

  • Absolutivo - variante do nominativo.
  • Alativo - variante do acusativo.
  • Prossecutivo - movimento ao longo de. Em inuit, a desinência é -kut: sawikkut = ao longo de uma faca.
  • Similativo ou conformativo - indica semelhança. Em inuit, a desinência é -tut: sawittut (como uma faca).

Casos encontrados em outras famílias lingüísticas[]

  • Dedativo - variedade do genitivo, indica relação com algo. Existe no quenya, língua artística inventada por Tolkien.
  • Diretivo - variante do acusativo, existe em algumas línguas africanas.
  • Possessivo - variedade do genitivo, indica possessão direta. Existe no quenya, língua artística inventada por Tolkien.
  • Terminativo - variante do acusativo, existe em certas línguas birmanesas.
  • Translativo - indica transformação de uma coisa em outra. Em japonês, a desinência é -to: torito = tornado pássaro.

Referências[]

Borba, Francisco da Silva. Pequeno Vocabulário de Lingüística Moderna. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1976.

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