Conlang
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Idioma desenvolvido por Gabriel Norberto Sander, para uma série de roteiros de jogos de computador criada por ele e vários outros autores. Os autores associados abandonaram a produção antes da conclusão, o que causou por extensão, o desperdício do cenário em que se intencionava usar o idioma. Agora, o idioma é uma relíquia de um projeto perdido. Funcional e virtualmente completo, com 2500 plavras-raízes, mas agora útil apenas para a diversão e exercício lingüístico de seu criador.

A inspiração original para sua criação veio do estereótipo das línguas de ficção científica: amplo uso quase desnecessário de apóstrofo e fonologia não muito diferente do inglês, mas usando encontros consonantais incomuns (descrição que abrange o Vulcano, o Romulano e o Mandoa, por exemplo), originando palavras como zun'hadum "pouco", uma referência ao nome Z'ha'dum (da série Babylon 5). O próprio nome do idioma, e o impulso original de criação, derivaram do iconiano, idioma da Icônia, um mundo da série Jornada nas Estrelas. A essa inspiração se agregaram influências do alemão, francês e algo do egípcio para desenvolvimento da estética fonológica, e mais tarde, alguns toques de idiomas nativo-americanos, austronésios e khoisan. A gramática foi feita para ser deliberadamente (mas não exaustivamente) alienígena, mas existe uma parcela de influência vinda do português, alemão e japonês. Existem também muitas características e algumas poucas palavras instintivamente emprestadas a partir de uma conlang criada pelo pai de Gabriel, seu mestre na arte da construção de idiomas.

Os falantes do idioma eram um povo alienígena humanoide, de um planeta distante chamado Yíkonyi. Eram uma espécie avançada, com capacidade de viagem espacial, com um fenótipo semelhante ao dos povos ameríndios ou leste-asiáticos, mas com uma biologia interna completamente diferente da humana. Tinham olhos amarelos com pupilas verticais, e possuíam protuberâncias queratinosas ou ósseas nos antebraços, que poderiam servir de escudos naturais durante uma luta.

Fonologia[]

As consoantes eram: p, t, k, b, d, g, m, n, f, s, h, v, z, l, todas com um valor idêntico ao do Alfabeto Fonético internacional; além dessas, existiam os dígrafos dj (como o j inglês) e sh (como no inglês) e a consoante r, soando como um toque alveolar [ɾ]. Sendo uma língua usada em vários mundos, acabava por desenvolver variações, sendo possível pronunciar h e r inicial como a fricativa surda uvular [χ], especialmente antes de vogal e no fim de palavras.

As vogais eram: a, e, i, o, u, com um valor idêntico ao do Alfabeto Fonético internacional, mas existindo liberdade para pronunciar-se e e o abertos, como [ε] e [ɔ]. Existia também o chevá [ə], comentado adiante.

A estrutura das palavras era (C)V(CV...)(C), sendo que qualquer som poderia iniciar e terminar.

Existia um grupo de consoantes que podia ocorrer antes das consoantes de qualquer posição, fossem iniciais, mediais ou finais: t, k, g, s, sh. Exemplos são: klap’h “gritar” e tkon “danificar” (posição cCVC(V)), fagt “mão” e host “osso” (posição CVcC), e djáshmouk “forte” (posição CVcCVVC). A partir dessa regra é que surgiam os encontros tsh e ts, como em tshea “boca” e tsa “esconder” (posição cCV(V)), que não devem ser tratados como consoante independente (ou seja, não se tratam de africadas [tʃ] e [ts]). Qualquer outra consoante podia ocorrer antes de outra consoante em posição inicial, mas neste caso surgia uma vogal de ligação sutil separando o encontro, um chevá [ə], representado pelo apóstrofo em p’vuín “terra gelada”, b’vark “cortar”, f’vaivagóul “espírito, âmago”, dj’bok “ruim”, v’kánigt “suspender, deixar pendurado”. Consoantes repetidas iniciais também eram expandidas com o apóstrofo-chevá, como em t’táh “ser igual a”.

Outro grupo de consoantes era o das que ocorriam antes de outras consoantes em qualquer posição, exceto como iniciais, servindo como semivogais ou ressonantes: l, m. Exemplos são hálb “casco de embarcação” e tshámb “fungar” (posição CVcC), albá “armazenar” e ómka “roda” (posição CVcCV). Esse grupo podia ocorrer combinado com o previamente citado, como em ílkve “declive” (posição VccCV).

Um último grupo consonantal especial era: r, h, n, z. Essas consoantes se comportavam como as semivogais previamente citadas, ocorrendo antes de outras consoantes no interior de palavras, e também formando combinações com o primeiro grupo citado, como em erme “célula”, ahdja “feixe” e dontshéh “deitar”, kezkti “seio”. Mas elas íam além disso, se comportando como consoantes silábicas, em qualquer posição, como em rkot “seguir” e mit’r “onze”, hdam “tênue” e kláp’h “gritar”, ngot “seis” e kuiák’n “fio de cabelo”, zsárit “badalar” e obóglev'z “tonel”. Surgiam também como inserção entre consoante e vogal, formando sílabas de formato CcV: como em breme “montanha”, vriha “chaminé”, dhálegon “abismo”, óvhats “clã”, shubní “purificar” e padzo “cabeça”. A partir daí surgia o encontro dz, que não deve ser tratado como consoante independente (não é africada).

As vogais se combinavam livremente, não existindo ditongos fixos. Assim se formavam hiatos, de tamanho livre, que podiam conter repetições, como em uáhouib “colo uterino”, aéiskarah "agora", hóuutshits “harmonia”, fadáee “imperador”, iip "mundo", Eliúu nome de um planeta, djáusf'h'vaa "prisma". Mas [i] e [u] podiam ser pronunciados como consoantes [j] e [w], facilitando a articulação.

A consoante g diante de u originava a sílaba vu (e não gu), assim como g diante de i originava yi (e não gi). Esse yi era sempre pronunciado como [ji], nunca como [ii], enquanto que o hiato em iip era proncunciado [ii] ou [ij].

Gramática[]

Uma das características do Yikonyiano era a existência de afixos que se ligavam não apenas ao começo ou fim de palavras, mas simultaneamente ao redor delas, chamados "circunfixos". Um desses circunfixos era g- -yi, ou seja, g- prefixado, simultâneo a um -yi sufixado, usado para derivar o nome de lugares, como em íkon "casa, família, clã", G-íkon-yi, pronunciado Yíkonyi "lugar dos clãs, mundo", devido à alofonia da sílaba gi. Ao ser usado com verbos, gerava o nome do lugar onde se pratica a ação, como em g'sáyi "esconderijo" (de tsa "esconder"), yíekyi "tribunal" (de íek "sentenciar"), gdivahháyi "ponto de partida" (de divahhá "partir, ir embora") e vúrigyi "hotel" (de úrig "hospedar").

Outra característica era a existência de pronomes pessoais temporais (como no idioma Wolof): a frase "eu escondo" era rdjetsái'dja, e "eu esconderei" era rdjetsá'dja, onde -dja indica "eu", e o circunfixo rdje- -i- indica presente, e rdje- sozinho indica o futuro, não havendo necessidade de pronomes pessoais de sujeito isolados, pelo menos em linguagem coloquial. Mas na linguagem mais rebuscada e complexa, como a usada pelos guardiões do Templo, se usavam pronomes pessoais que deveriam concordar com o tempo verbal, expandindo-se as frases para rdjetsái'dja kahdjé e rdjetsá'dja ka, onde kahdjé é "eu (tempo presente)" e ka é "eu (tempo futuro)". Esses pronomes temporais eram usados também em construções adverbiais, como em hatzassáhgol ka, enarká'tsh rdjekéh'dja, literalmente "eu-futuramente chegando, farei a comida", traduzível como "ao chegar/quando chegar, farei a comida".

Os pronomes usados como objeto não possuíam distinção temporal, como em barhá ihíua'dja "te amo", onde barhá "te" era usado para qualquer tempo, como em barhá rdjeihíua'dja "te amarei".

Existia um núcleo principal de derivação que usava um sistema de seis diferentes afixações a partir de uma ideia verbal: tomando-se como exemplo o verbo itneshis'há "escrever", era possível derivar itneshis'házt "escritor" (agente), yitneshis'há'h "grafia" (ação, abstração), itneshis'hásh "texto" (nome passivo), yitneshis'há'tik "pena de escrever, lápis, caneta" (nome instrumental), yitneshis'háyi "escritório" (lugar da ação), itneshis'háva "escrita" (resquício da ação). O Yikonyiano era um idioma aglutinante, permitindo derivações de derivações, acumulando afixos, possibilitando que surgissem a partir dos termos acima yitneshis'háhvót "gráfico", itneshis'háshvót "textual", e yitneshis'háztyi "academia de escritores".

Expressões[]

  • keitáh "sim"
  • peh "não"
  • have uma saudação.
  • sanamáika ou devehé "obrigado!"
  • narómi "seja bem-vindo!"

 Ligações Externas


  • Site do autor sobre o Yikonyiano (Conteúdo indisponível).
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